Segredos e Vaidades
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Em minha casa
Fumando o meu cachimbo
Estou ciente de todas as minhas vaidades!
Como a fumaça bailando em minha direção,
Meus personagens dizem:
Estou certo!
...
Como pelo telhado
Onde as pedras fizeram furos
Aparecem estrelas onde deviam estar
Fico a murmurar
Segredos que nem desconfio;
Desatento a coçar a fisgada que nem sinto.
...
Tenho no peito um coração imenso e solitário!
Como o infinito vago escuro
E imaginário!
E patético
Como um tombo
Em plena multidão
Corro a socorrer do chão
Meus inimigos
Um a um
Preso à forma que me construiu
Encaixo em cada um de seus suspiros
Minha sina por tudo que a fumaça há de me trazer!
...
Olho meu cachimbo cubista
E me pergunto o ridículo que sou!
Rouco palhaço das largas e das galerias
Sem olhos, sem ouvidos!
No picadeiro, em seu ofício
Buscando um sorriso, um parceiro!
Mais vil e mais egoísta que todos os modistas,
Nu e de olhos arregalados esperando
O próximo gargalo!
Esquemático
Como o desenhista
Sobre a prancha de esquadros
Planejo a próxima cena
Com as mesmas piadas de antes
Que nunca deram sorrisos no entanto!
...
Por meus segredos!
Andam vegetando mil compostos inorgânicos!
Logo eu! Incapaz de guardar nenhum de meus conselhos!
...
Ou então! Estúpido e macambúzio!
Como o corcunda das torres
A tocar os sinos!
Vagueando pelos salas
Consertando estátuas e relógios
E assombrando os homens e seus filhos!



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