Cálidos Segredos


 
 

Segredos e Vaidades

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Em minha casa
Fumando o meu cachimbo
Estou ciente de todas as minhas vaidades!

Como a fumaça bailando em minha direção,
Meus personagens dizem:
Estou certo!

...

Como pelo telhado
Onde as pedras fizeram furos
Aparecem estrelas onde deviam estar

Fico a murmurar
Segredos que nem desconfio;
Desatento a coçar a fisgada que nem sinto.

...

Tenho no peito um coração imenso e solitário!
Como o infinito vago escuro
E imaginário!

E patético
Como um tombo
Em plena multidão

Corro a socorrer do chão
Meus inimigos
Um a um

Preso à forma que me construiu
Encaixo em cada um de seus suspiros
Minha sina por tudo que a fumaça há de me trazer!

...

Olho meu cachimbo cubista
E me pergunto o ridículo que sou!
Rouco palhaço das largas e das galerias

Sem olhos, sem ouvidos!
No picadeiro, em seu ofício
Buscando um sorriso, um parceiro!

Mais vil e mais egoísta que todos os modistas,
Nu e de olhos arregalados esperando
O próximo gargalo!

Esquemático
Como o desenhista
Sobre a prancha de esquadros

Planejo a próxima cena
Com as mesmas piadas de antes
Que nunca deram sorrisos no entanto!

...

Por meus segredos!
Andam vegetando mil compostos inorgânicos!
Logo eu! Incapaz de guardar nenhum de meus conselhos!

...

Ou então! Estúpido e macambúzio!
Como o corcunda das torres
A tocar os sinos!

Vagueando pelos salas
Consertando estátuas e relógios
E assombrando os homens e seus filhos!



Categoria: Poesia
Escrito por Gustavo de Siqueira Casagrande às 07h36
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Duas Poesias de Lao-Tsé

Lao-Tsé, O caminho a Deus (Tao Te Ching)


POEMA 48 --- Passividade dinâmica ---

O conhecedor quer conhecer sempre mais.

Quem se une a Tao
Conhece cada vez menos,
E não deseja nada,
E acaba não fazendo nada.

E, graças a esse não fazer nada,
Tudo é feito através dele.

Destarte também um reino se constrói
Pelo não fazer nada,
Mas é destruído pelo fazer muito.

 

POEMA 49 --- A Vida no Coração do Mundo ---

O Sábio não tem coração estreito;
Inclui no seu coração os corações dos outros.

Ele é bom com os bons
E bom também com os não-bons.
Porque sua íntima atitude
Só lhe parmite ser bom.

Ele é honesto com os honestos
E honesto também com os desonestos,
Porque seu íntimo ser só lhe permite
Ser honesto com todos.

Ele vive retirado,
Mas a sua vida está aberta de par em par
A todos os homens.

Os olhos e os ouvidos dos homens
Se voltam para ele, estupefatos –
Ele vê seus filhos em todos.



Categoria: Poesia
Escrito por Gustavo de Siqueira Casagrande às 17h48
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"Acredita-me: os que nada parecem fazer, fazem coisas maiores, pois ocupam-se juntamente de questões humanas e divinas."

Autor: Sêneca



Categoria: Citação
Escrito por Gustavo de Siqueira Casagrande às 15h30
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Amor

Amor...
Em minhas mãos!
Não corras assim...
Não te entregues assim...

Guarda-te a ti!
Não te abandones.
Verdades neste mundo
Foram feitas para serem caladas.

Não te entregues todo
A alma o coração e a paz...
Sabe aquele ideal de contos de fadas
Não existe mesmo realmente.

Poucos serão aqueles
Que repartindo-se não estarão ao meio
E se entregarão a si mesmos
Como a uma mesma pessoa.

Sabe aqueles sonhos mais lindos da infância
Guarda-te de todos eles...
Não irão se encaixar aqui, neste mundo
De céu e de mar...

Navega. É bom navegar.
Mas a tua âncora.
Não lances tão longe
Que não possas buscar.

É amor!
Cuida-te de não te perder assim!
Desconjugado...
Aos retalhos...

Uma bóia!
Aos solavancos das ondas
Marés e ventos
Do azar.

Mergulha tua cabeça e nada!
Vê que nada podes fazer
No reino dos cristais de plástico
Espelhos turvos de imagens mágicas.

Não são teus próprios sonhos
As imagens ilusórias que vês
Nem de teus desejos tão somente
Reflexos das ânsias que vislumbras

Mas um pouco mais além
Um pouco mais profundo
Os torvelinhos da história mãe
Do pai presente e ausente

Do pai crente e eficiente
Relembrando-te por toda vida
O que vias
Até enxergares enfim.



Categoria: Poesia
Escrito por Gustavo de Siqueira Casagrande às 13h00
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"Tanto os homens quanto os peixes deixam se levar por aquilo que os deleite."

Autor: Heráclito

Buscar na Web "Heráclito"



Categoria: Citação
Escrito por Gustavo de Siqueira Casagrande às 12h49
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Edifício

 

@ 13/07/2003

Agora que todos dormem
Sou o porteiro das três da manhã
Dormitando sobre a escrivaninha do hall
Atento à porta e ao elevador.

Passeio meus olhos pelos cílios
Como a corrida de um sonho
E verifico: não há nada de errado
No ed i fício.

Todos dormem e nada afugenta
Se não o sonho
As vezes breve, outras perene!
E todas as portas estão fechadas!

O edifício mantém só uma luz acessa
Na entrada da rua, e pelas escadas
uma para cada andar até o último

Dorme sobre o reflexo da luz da lua
Nas poças pelas frestas das cortinas
Quente com seus cobertores pesados
Ou frio como os meninos da marquize


O edifício que se inclina sob o leito
Curvando ao máximo sua coluna de ferro
Decompondo suas estruturas intrincadas
Deitado pela rua até a esquina.

O poste de luz, curvado, dando passagem
Descansa sobre o hidrante vermelho
Que bufa e espirra água pela rua
Lava o sujo e as poeiras da cidade!

Os gatos pretos rondam insinuantes sobre o muro
E quando pulam correm os ratos pros buracos
Os anús batem asa e os cachorros latem
De longe, muito longe... ecoando... uivando.... no interior!

Despertam o porteiro prum passeio de olhos pelas pálpebras
Atento aos miados mais espavoridos
Finos simbilando pelos corredores
Até cessarem inesperadamente em paz


Sobre a mesa e sob o quepe abre o olho pro relógio
Tic tac, trincado
Fecha o olho e dormita
Atento ao elevador e à porta de entrada.



Categoria: Poesia
Escrito por Gustavo de Siqueira Casagrande às 12h41
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"Há muito a se pensar, pouco a se preocupar."

Autor: ?



Categoria: Citação
Escrito por Gustavo de Siqueira Casagrande às 11h53
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Estação da Luz

 

Vendo bilhetes na estação da luz!
Toda variedade de gente vem comprar!

Pelo vidro do balcão recebo suas contas
Devolvo as passagens que dão pra levar

Não vejo seus olhos, nem o olhar,
Não vejo seus sonhos, nem o lugar.

Conto moedas e mais nada!
Verifico o montante de perto!

Somo as viagens que podem tomar
Para qualquer lugar, qualquer estação!

Conferem o troco, guardam a carteira

E partem para algum lugar distante...
Num adeus sem palavras, sem mais...

 

 

Quero viver
E deixar o vento
A noite
O frio
O medo
Por seu aconchego!

Um cafuné sem palavras
Sem respostas.
Presentes
Quietinhos
Seguros
Por um fio!

Dá sua mão pra mim!
Quero apertar
Na minha
Bem forte;
Sólidas
Num sentimento!

Ser parte de seu olhar por um momento!
E me preencher
Sem limites
Tão suave,
Leve
Como um floco!

Desmanchando sem dor o calor
Em seu colo
Belo
Terno
Tenro
Como um bebê!

Quero enaltecer o nosso amor
E me desprender
Estranho
Grave
Velho
Como um santo

Do que sua falta me faz!
De todos os dias
Longe
Ausente,
Louco
Por um toque!

Quero você aqui comigo
E nada mais
Certo
Claro
Óbvio
Por toda eternidade!

Do que o que a sua presença me faz.
Cada dia
Cada vez mais
Prima
Delicada
Como um desejo!

Eu sem você, ó meu alentejo!
Me perco
Sem nada.
Senil,
Grosso
Como um trapo!

Recolho as velas na tempestade
Do nada!
Sem sal
Sem água
Sem saída
Como o bréu!

Sem você, ó meu céu de brigadeiro!
A viagem é
Sem estrelas
Chuvosa
Finita
Como um ciao!

Por isso eu só posso te dizer que tal?
Como vai?
Alegre
Feliz
Bem
Por nós dois?

Esperando que nunca me responda
Que está
Triste
Infeliz
Mal
Com a gente!

Sem você meus planos caem por terra
Não têm sentido
Nem pai
Nem mãe
Nem tino
Como uns órfãos!

Se aglutinam na beirinha de minhas
Vontades
Como espermas
Hereditários
Embrionários
E tísicos
Por uns óvulos!

Que não se realizam nem se
Extinguem!
Como o amor
Que espera
E celebra
A vitória
Do encontro!

Você! Ó meu inexprimível amor!
Vale todos os concertos
Eternos
Sem nexo
Erráticos
Como sejam!

Do seu lado, são todos para mim os mais belos!
A vida tem muito mais sentido
Nem me perco
Nem me procuro!
Como você, meu amor,
Eu nem me caibo!



Categoria: Poesia
Escrito por Gustavo de Siqueira Casagrande às 22h59
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Tempo de plantar

Esquece e vê!
Entrega e se pertence!
Dorme e acorda!
 
O amor que eu dei
Flor mirrada em terreno frágil
Morreu
 
Toda água que eu reguei
Secou
- Mas ainda creio na escritura
 
Onde errei? Onde errei?
Valeu a pena! Eu sei!
Mas onde foi que valeu?
O que recebi na troca?

Para além do óbvio!
De desamor em desamor!
Desta descrença profunda!
 
Como se entregar de novo!
Como acreditar de novo!
Não quero aceitar assim.
 
Onde será que eu terei errado
Se a troca foi tão ruim?
Como posso ter dado assim?
 
Como posso ter me dado assim?
Se entrega! Se entrega!
Doma enfim!
 
Viver a vida em sonho!
Mentir e se esconder!
Não repartir com ninguém
Sequer o mínimo
de seus mais cálidos segredos!
 
Viver sempre com o inimigo
Em todos os lados...
Em todos os lados...
 
Como ser asssim?
Fingido? Retraído?
Como se fosse uma questão de opção e não de habilidade!
 
Hábito? Cultura? Fado?
Caráter.
Que se queria rasgar e deitar fora
Chaga de inconcebível credulidade.
 
Incredulidade e medo!
É a chaga que me fere os olhos!
 
Depois de tantas evidências
Titubeio inseguro
Como um ingrato sem sorte
 
Como se tudo não tivesse sido bom pra mim até então
E afinal nada fosse transitório



Escrito por Gustavo às 03h08
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Crítica à crítica

Falar... simplesmente falar

E ser alguém

Alguma pessoa

Não é suficiente.

 

Leem como se fosse você.

  

Escrever uma poesia em muitas linhas

Verificam passo a passo

Uma única palavra isolada

Consciência

Congruência

Em tantas outras théias!

 

Quando ela passa

Os analistas passam

Buscando ainda

Um motivo uma razão!

 

Quando simplesmente

Poesia, homens, histórias, cremes

Passam

E vemos todos depois

Escafandristas de idéias,

Imagens, cenas,

Lembranças do que é real e passa,

  

A realidade

Tão concreta

Escap’entre os dedos

Desapontados.

 

Fica o sentimento

Do que faltou

Do que não estava

Do que estava

 

Sentimentos de ideias...

Nas cabeças de alguém.



Escrito por Gustavo às 03h00
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Luz da lua

O corpo está frio
Porque é fria a brisa
E a noite é serena
E o sereno desliza.
 
Minh'alma é soturna
Como a noite
E m'embala leve
Pra qu'eu durma.
 
Deixa escurecer
E apagar a visão
Desligando a mente
Do meu coração.
 
Ela é tão suave
À minha sensibilidade
E me faz sorrir
Quando me traz saudade.
 
Mas também esquenta
Minha agonia.
Me aperta o peito
Quando fantasia.
 
Desce aqui lua, desce
E vem me iluminar
D'areia até o horizonte
Num facho sobre o mar...



Escrito por Gustavo às 02h46
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